Transcarioca, Transoeste e Transolímpica “derrubam” sonhos de moradores

Transcarioca, Transoeste e Transolímpica “derrubam” sonhos de moradores

Cíntia Cruz

Extra, em 16/01/2011

Saudades e boas recordações é tudo o que vai ficar na memória dos moradores removidos de suas comunidades para a construção das vias expressas Transolímpica, Transoeste e Transcarioca. As vias, previstas no caderno de encargos das Olimpíadas de 2016, vão passar por lugares que hoje têm casas, moradores e muitas histórias.

Ao longo dos anos, essas pessoas construíram sonhos e expandiram suas casas. A vendedora Luciene Santos, de 41 anos, mora na comunidade Quáxima, em Madureira, um dos bairros por onde passará a Transcarioca. Na vila onde reside, há cerca de 27 casas. Os moradores afirmam já terem recebido a visita de engenheiros da prefeitura.

— Meu maior medo é a Prefeitura vir e levar a gente para longe — disse Luciene.

Vou sair com muita paixão

Maria de Souza

Só de imaginar que terá que sair da casa onde vive há 50 anos, a moradora mais antiga da vila, Maria de Souza, de 77 anos, não esconde a emoção ao falar do assunto.

— Vou sair com muita paixão — disse.

A comunidade Vila Recreio 2, que será removida para a construção da Transoeste, abriga moradores que migraram de outros estados e construíram suas vidas lá.

É o caso do aposentado Waldomiro de Oliveira, de 84 anos. Ele veio de Minas Gerais para o Rio com apenas 8 anos de idade. Há 34, vive na comunidade. Waldomiro conta como era o bairro quando ele chegou.

— Isso aqui era tudo roça. Na época, a prefeitura me autorizou a entrar. Derrubaram a casa de outras pessoas que estavam construindo, mas a minha não derrubaram — orgulha-se.

Há mais de 20 anos, Maria do Socorro mora na Vila Azaleia,em Curicica. A Transolímpicavai passar pela comunidade. Ela garante que viveu bons momentos no bairro.

— Aqui criei meus filhos, meu neto, enfim, vivi uma vida tranquila. Somos todos moradores antigos e muito unidos.

Para orientar os moradores sobre seus direitos, o Núcleo de Terra e Habitação da Defensoria Pública busca informações sobre os projetos e intervenções na comunidade junto ao poder público. A defensora Adriana Britto explica que a participação dos moradores numa decisão como essa é essencial.

— Quando há uma obra desse porte, a comunidade tem que saber o que vai acontecer, qual é a importância da obra. Eles têm o direito à moradia e à segurança da posse. Eles não têm o documento de escritura, mas têm o tempo que assegura isso.

A Subprefeitura da Barra e Jacarepaguá informou que o processo de reassentamento dos moradores da comunidade da Restinga, Vila Harmonia, Vila Recreio 1 e Vila Recreio 2 está sendo coordenado, e cada caso está sendo analisado individualmente. Segundo o órgão, a prefeitura está oferecendo para esses moradores empreendimentos do Programa Minha Casa Minha Vida.

 

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